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MachadodeAssis1890-crp

por Andrea Carvalho Stark

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november 2008

Ventava um pouco, as folhas moviam-se sussurrando, e, conquanto não fossem as mesmas do outro tempo, ainda assim perguntavam-lhe: “Paula, você lembra-se do outro tempo?” Que esta é a particularidade das folhas, as gerações que passam contam às que chegam as cousas que viram, e é assim que todas sabem tudo e perguntam por tudo. Você lembra-se do outro tempo? (*)  

Machado de Assis ainda sussurra em nosso ouvido as coisas que viu em um tempo. O tempo passou, o vento mudou seu curso, mas não suas histórias. Somente folhas ao vento podem explicar - até a uma criança curiosa - o que é literatura. E o que é a obra de Machado de Assis.   

Em 2008, a literatura brasileira comemora o centenário de um mestre: Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1835 no Morro do Livramento, centro do Rio de Janeiro, filho de mãe portuguesa e de um pai pintor de paredes. O menino mulato, epiléptico, canhoto, poeta, gago cresceu e se tornou um escritor reconhecido, entre seus contemporâneos, em uma vida que durou até o dia 29 de setembro de 1908.   

Para mim, Machado sempre foi um encantamento que começou por causa de uma tarefa escolar com o conto O Espelho. Eu devia ter uns 15 anos e fiquei impressionadíssima com a história do Alferes que sem a farda não via sua imagem refletida.  

Mas Machado de Assis não deveria estar somente nas escolas, deveria estar nas esquinas – para nos vermos refletidos em seu espelho. O que ele escreveu foi sempre isso: um espelho, mas de material oposto ao do seu conto dos meus 15 anos. O espelho de Machado reflete tudo com nítidos contornos – até hoje.   

Essa bela imagem está em uma exposição na Academia Brasileira de Letras, instituição fundada por Machado de Assis em 1897.   

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Há outra imagem que pertence ao mesmo momento dessa foto. Dessa vez, o moço encara a objetiva. Parece tímido.

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Essas duas imagens aqui é quase cinema, existe nelas um movimento misterioso. Machado tinha 25 anos nessas fotos. Um tempo em que era um moço entusiasmado que escrevia poesias, trabalhava na tipografia de Francisco de Paula Brito revisando textos, conhecendo gente da literatura e do teatro da Corte de D Pedro II, ouvindo histórias de prima-donas, especialmente de uma: Augusta Candiani. É sob o pseudônimo Manassés que escreve em 15 de julho de 1877, na revista Ilustração Brasileira, mas é o Joaquim Maria quem se espelha: E hoje volta a Candiani, depois de tão largo silêncio, a acordar os ecos daqueles dias. Os velhos como eu irão recordar um pouco da mocidade: a melhor coisa da vida, e talvez a única.   

Para os jovens de hoje, Machado de Assis é tema de questões sofisticadas de vestibulares e concursos, talvez somente mais um item da matéria escolar. Em vez de lerem sua obra, os jovens recorrem aos resumos da internet. Mas a própria biografia do escritor poderia lhes servir como exemplo de superação e determinação.  

Para o professor Ronaldes de Mello e Souza é essa a maior charada que Machado de Assis nos legou: Assim como Dostoievski, que viveu em situação extraordinariamente adversa, Machado de Assis suplantou os obstáculos que se lhe depararam nas etapas do caminho de sua vida, sobretudo porque se submeteu a um processo de autoformação sistemática e complexa, que o converteria num dos autodidatas mais bem preparados de toda a história da literatura.  

Conversamos com Ronaldes de Melo e Sousa sobre Machado de Assis. E também com John Gledson sobre o escritor brasileiro no exterior e as traduções de sua obra para a língua inglesa.   

Ronaldes de Melo e Sousa é professor de Literatura Brasileira do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Acaba de lançar O romance tragicômico de Machado de Assis, onde aborda a obra do escritor sob a luz das teorias da comicidade, da ironia e do viés tragicômico.  

Negro, gago, pobre, epiléptico em um país escravocrata do século XIX. Machado de Assis tinha tudo para não permanecer. Mas permanece. Indagamos ao professor Ronaldes: Por que Machado de Assis não morreu? A que devemos essa permanência? Permanece porque a sua obra mantém um diálogo intertextual com os grandes escritores da literatura ocidental. Permanece porque a sua obra não só mantém um diálogo intertextual, mas também um diálogo interdiscursivo, com a mitologia, a filosofia, a história, a religião e demais discursos da tradição cultural ocidental-européia. Acima de tudo, permanece porque a sua obra é original, não só em seu tempo, mas também em nossos dias.  

Essa originalidade inédita em seu tempo se traduz por uma matriz inesgotável. Apesar de cem anos, ainda há sempre o que dizer, ler e ver em Machado de Assis. O professor Ronaldes acredita que Nos últimos anos, tanto no Brasil quanto no exterior, verifica-se uma quantidade enorme de estudos sobre Machado de Assis, que convergem na assertiva de que o escritor brasileiro se situa entre os maiores criadores literários, não só do século XIX, mas também do século XX, o que atesta a sua originalidade e explica o seu estatuto de precursor das revoluções ficcionais do século XX. Devido à complexidade de sua obra, inúmeros estudos ainda terão que ser elaborados, se quisermos compreender o seu universo sutilmente estruturado.   

Apesar de ser um dos maiores escritores da literatura brasileira, Machado de Assis ainda é um desconhecido nome no panorama da literatura ocidental. Mesmo tendo sido sido saudado por Susan Sontag como “o maior autor que já existiu na literatura latino-americana” superando até mesmo o argentino Jorge Luis Borges. E ser considerado por Harold Bloom como “o maior autor negro até hoje.” Woody Allen também já leu Machado e declarou ser o brasileiro "um autor brilhante e moderno cujos livros poderiam ter sido escritos esse ano ".  

Para essa espécie de neutralidade, alguns apontam as problemáticas traduções que já foram realizadas sobre a obra de Machado de Assis, mais do que o fato de sermos – para o mundo - uma cultura periférica. Parece que há ainda um longo caminho, que começou nos anos 50 com as traduções de Helen Caldwell. Perguntamos ao Professor John Gledson (*) como ele avalia as traduções de Machado de Assis para o inglês. Elas contribuem e fazem jus à obra original? Em geral elas realmente fazem jus à obra original. As traduções da Noonday Press nos anos 50, por Helen Caldwell, William Grossman e Clotilde Wilson sobreviveram por quatro décadas; apesar disso, foi uma boa idéia fazer novas traduções. Mas há exceções e é bom alertar as pessoas sobre isso, principalmente porque uma dessas ainda está à venda. Em 1991, uma versão de “Dom Casmurro” foi publicada na Inglaterra por Peter Owen, e depois por nada menos do que a Penguin Classics, que deliberadamente omitiu 9 capítulos! Acho que provavelmente essa versão sumiu da vista mais recentemente. O que é menos comentado é que as traduções de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Quincas Borba” feitas nos anos 90 por Gregory Rabassa (o famoso tradutor de “Cien años de soledad”) estão infestadas de erros e de escolhas infelizes. Infelizmente, as reputações do tradutor e do editor, a Oxford University Press, significa que vai levar tempo para que sejam desmascaradas. Só ouvi reclamações de pessoas que usam essas traduções, em sala de aula por exemplo. O problema é que, é claro, muito pouca gente que lê Português vai ler as traduções, e quem lê as traduções não sabe Português. Mesmo assim, o inglês dessas traduções geralmente parece tosco aos meus ouvidos. Eu escrevi um ensaio, “Traduzindo Machado de Assis”, publicado em uma coletânea para o Concurso Machado de Assis, promovido pelo Ministério Brasileiro das Relações Exteriores, no qual eu ilustro isso em um capítulo do “Memórias Póstumas de Brás Cubas”.  

O professor John Gledson é hoje, sem dúvida, o maior conhecedor da obra de Machado de Assis no mundo de falantes de língua inglesa. Sua contribuição tem sido singular à divulgação da obra do escritor brasileiro para leitores falantes desse idioma. Sobre Machado de Assis, Gledson escreveu diversos trabalhos e traduções de romances e contos. Alguns – vinte contos, para ser mais exata - estão na coletânea “A Chapter of Hats and Other Stories” (Bloomsbury, Londres, 2008). Qual critério John Gledson seguiu para a escolha dos contos dessa coletânea? Ele responde: Em “A Chapter of Hats...”, eu escolhi deliberadamente a maior parte das histórias das coletâneas posteriores a 1882, e não de “Papéis Avulsos”. Não porque eu não admire os contos dessa coletânea, ou ache que não são importantes, mas porque eu temo que seus temas genéricos podem fazê-las parecer mais derivadas, e seu humor menos original. “O Alienista” eu excluí por outras razões – sua extensão, que tomaria boa parte do espaço no livro, e o fato de que já existe pelo menos duas traduções desse conto, ambas bem aceitáveis. O lado positivo é que cinco das histórias, incluindo - por mais incrível que possa parecer - o próprio “Capítulo dos chapéus” e “A Cartomante”, não estão incluídas em coletâneas anteriores. Pode ser que haja uma discreta inclinação ao realismo social no meu livro, mas eu espero que não seja tão declarada assim: incluí histórias cínicas como são “Na arca”, “O Espelho” e “Conto Alexandrino”. Em outras palavras, eu tentei fazer uma obra representativa, simplesmente escolhendo as melhores histórias. Algumas como “A causa secreta”, e “Um homem célebre” escolheram-se por si mesmas.   

Em relação a estudos sobre Machado de Assis - em inglês - quais são as mais importantes contribuições? Por exemplo, podemos citar o artigo de Harold Bloom e Susan Sontag nos anos 90? Recentemente, em inglês e por escritores de língua inglesa, temos somente o capítulo de Harold Bloom em um volume extenso chamado “The Author as Plagiarist: Machado de Assis”, editado por João Cezar de Castro Rocha, e publicado pelo Center for Portuguese Studies and Culture, da University of Massachusetts Dartmouth (ISBN 1-933227-10-9). Muitos dos ensaios desse volume são traduzidos do Português, mas uns dez são de autores falantes de língua inglesa, e o livro inclui uma bibliografia extremamente útil sobre Machado de Assis, em inglês, por K. David Jackson, que inclui traduções, livros e artigos sobre Machado. Devemos chamar atenção para o artigo de Michael Wood, “Master among the ruins”, originalmente publicado na “The New York Review of Books”. Wood entende que Machado não é um mestre “apesar de suas fontes e temas brasileiros mas justamente por causa disso”. O artigo é em parte uma resenha da obra de Roberto Schwarz “Um mestre na periferia do capitalismo”. Eu acho que essa é uma posição sensata, mas não é, sob nenhuma hipótese, algo universalmente aceito. O texto de Bloom é talvez o pior exemplo da tendência oposta – para ele, as fontes brasileiras de Machado podem não existir (apesar dele ser também o maior autor negro que houve, o único da lista dos “100 maiores”). Eu suspeito de uma correção política; e quando eu vejo as novas traduções de Gregory Rabassa sendo elogiadas, suspeito de que essas traduções não partem de uma leitura suficiente da obra original, na minha opinião. O artigo de Susan Sontag, pelo contrário, é excelente, fruto de uma leitura realmente entusiasmada e inteligente. Eu acho que a lição que podemos tirar disso tudo é que a reputação de Machado precisa ser construída a partir de alicerces sólidos – enquadrá-lo a uma tendência literária da qual ele só pertence parcialmente, ou superestimar sua biografia não vai produzir, necessariamente, uma mudança. Essas coisas não ajudam o leitor a ler os livros com prazer e discernimento, e para onde podemos ir sem isso?  

Quais as maiores charadas da língua portuguesa de Machado de Assis que um tradutor tem que driblar e resolver em uma tradução para o inglês? São muitas– ele não é fácil de traduzir, apesar de que não é a mesma dificuldade de tradução, digamos, de um Guimarães Rosa. Uma dificuldade óbvia é em relação aos adjetivos, principalmente aqueles que se referem ao caráter das pessoas ou a partes do corpo - os olhos, obviamente, são famosos, mas geralmente os gestos são ambíguos também. Posso citar um exemplo em relação aos olhos, não os mais famosos de sua literatura, mas um que me lembro por causa do trabalho que eu tive em traduzir: “mas era lhana, graciosa e tinha essa espécie de olhos derramados que não foram feitos para homens ciumentos.” (“A desejada das gentes”). Assim ficou minha versão final: “but she was affable, charming, and her eyes had a liquid quality about them, not made for the jealous among us.” Não ficou tão bom quanto o original, é claro, mas fui tão fidedigno quanto pude, e checando, eu vi que eu tinha feito outras, versões não tão boas quanto essa. Outro exemplo de tradução se refere às “relações de favor”, uma frase difícil de traduzir – “relations of patronage, clientelism, dependency”, podemos assim dizer. Freqüentemente, uma dificuldade de tradução relacionada a esse fenômeno importante da sociedade brasileira surge porque as palavras são mais carregadas de significado em Português do que seus equivalentes em Inglês. Entretanto elas são centrais à ficção – a tradução que omitiu 9 capítulos de “Dom Casmurro” também traduziu “agregado” como “um amigo da família” (“a friend of the family”). Metade do livro está destruído, se a posição de José Dias e sua motivação não forem compreendidas  

O caminho de reconhecimento da obra de Machado de Assis na literatura ocidental promete novas veredas. A importância singular dessa obra, reconhecida em seu próprio terreno, também confirma um poder inesgotável de nossa literatura. Parece mesmo que o escritor seguiu o movimento das folhas ao vento que perguntam à Dona Paula: “Você lembra-se do outro tempo?”   

Sim, Seu Joaquim, não esquecemos, porque o vento é coisa que não cessa. As novas, velhas e futuras gerações lhe agradecem em um sussurro.   

Sans adieu.  

Recomendamos:    

A Chapter of Hats and other stories. Machado de Assis, tradução e organização de John Gledson, Bloomsburry, Londres, 2008. Vinte contos de Machado de Assis traduzidos, dentre os quais “Dona Paula” – um dos contos mais emocionantes do escritor – e “O espelho”– o meu primeiro Machado de Assis – em caprichosa tradução de John Gledson para o inglês.  

Afterlives: The Case of Machado de Assis. Susan Sontag, New Yorker, 7 de maio de 1990. Ensaio da crítica americana, mencionado na entrevista com o professor John Gledson.  

Bibliografia Machadiana 1959-2003. Ubiratan Machado, Edusp/Nankin, 2005. Nesse livro, o leitor pode encontrar referências sobre o que se escreveu entre 1959 a 2003 envolvendo a obra de Machado de Assis. Uma bibliografia completa organizada e pesquisada pelo crítico e professor Ubiratan Machado - resultado de 5 anos de pesquisa em livros, periódicos e revistas do Brasil e do exterior. Também do mesmo autor, Dicionário Machado de Assis, uma publicação da Academia Brasileira de Letras, 2008.  

Dom Casmurro. Machado de Assis, organização de Paulo Franchetti e Leila Guenther, Ateliê Editorial, 2008. Edição anotada, com texto estabelecido a partir das edições em vida do escritor. Inclui notas de Leila Guenther e ensaio de Paulo Franchetti sobre o romance e sua recepção pela crítica ao longo do século XX.   

Genius: A Mosaic of One Hundred Exemplary Creative Minds. Harold Bloom, New York, Warner Books, 2002. Esse é o livro onde o eminente crítico literário Harold Bloom declara Machado de Assis como um dos maiores do mundo.   

Machado de Assis – site da Academia Brasileira de Letras. http://www.machadodeassis.org.br/ Fortuna crítica, biografia, cronologia, entrevistas. Um projeto de pesquisa e organização pela Academia Brasileira de Letras.  

Machado de Assis. Dau Bastos, Editora Garamond/Biblioteca Nacional, 2008. Novíssima biografia do escritor pelo professor e romancista Dau Bastos para a coleção “Personalidades Negras”, da Editora Garamond em co-edição com a Biblioteca Nacional.  

O Romance Tragicômico de Machado de Assis. Ronaldes de Melo e Souza, Editora da UERJ, 2008. O livro do professor e crítico Ronaldes de Melo e Souza investiga aspectos da comicidade, da ironia e do viés tragicômico da narrativa de Machado de Assis, em nove romances do escritor.  

Otelo Brasileiro de Machado de Assis: Um estudo de Dom Casmurro. Helen Caldwell, Ateliê Editorial, 2002. A crítica americana aproxima o romance “Dom Casmurro” de Machado de Assis à peça de Shakespeare “Otelo”. Um dos trabalhos inaugurais sobre Machado de Assis em língua inglesa. Originalmente publicado em 1960.  

Páginas Esquecidas: Uma antologia diferente de contos Machadianos. Organização de Alvaro Marins, Editora Língua Geral, 2008. Uma antologia reunindo contos menos conhecidos de Machado de Assis, selecionados pelo professor e crítico Alvaro Marins, com ensaio de introdução de autoria do organizador.  

The Author as Plagiarist: the Case of Machado de Assis. Editado por João Cezar de Castro Rocha, University of Massachusetts Dartmouth, 2006. Nesse livro, Antonio Candido, Alfredo Bosi, Hélio de Seixas Guimarães, Hans Ulrich Gumbrecht e José Saramago escrevem sobre Machado de Assis.   

(*)Trecho do conto “Dona Paula”, de Machado de Assis.  “Várias Histórias”, W. M. Jackson Editores,1946.

(**)Entrevista originalmente concedida em Inglês. Tradução para o Português por Andrea Carvalho Stark, revista por John Gledson.  

Agradecemos
a Paulo Franchetti, Fabio Akcelrud Durão, Danielle Corpas e Ubiratan Machado pelas preciosas colaborações.

Imagens
(no topo) Machado de Assis aos 55 anos, em 1890 - Marc Ferrez (1820 – 1850)
(no texto) Machado de Assis jovem - Insley Pacheco (1830 - 1912)

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Andréa Carvalho Stark é escritora no Rio de Janeiro.
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