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december 2007

Scene4 Magazine: Cleiton Echeveste

por Andrea Carvalho Stark

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O diretor e ator Cleiton Echeveste trocou o Rio Grande do Sul pelo Rio de Janeiro em 2002. No Sul descobriu o teatro e  graduou-se em Artes Cênicas.

Quando estava terminado a faculdade, adaptou o conto de Vera Karam Aspargos Uruguaios em Oferta em um espetáculo solo. E o que era um espetáculo de formatura, ficou em temporada por três anos, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, e lhe rendeu um importante prêmio como melhor ator.

É diretor e criador, junto a Eduardo Almeida, da Pandorga Companhia de Teatro que apresentou recentemente a peça O Menino que brincava de ser, adaptação para o livro homônimo de Georgina Martins. Mas a Pandorga não pretende produzir somente espetáculos para crianças. Cleiton Echeveste pensa em um projeto de teatro adulto para 2009. "É um desejo ainda, que pouco a pouco está ganhando forma"

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Mas é o desejo sempre o início de tudo.  

Ainda é um desejo (e uma grande dose de trabalho!) encontrar um patrocínio e assim estabilizar economicamente o sustento dos trabalhos da Companhia: Nossa busca não cessa nunca!  Para sua primeira produção de teatro infantil no Rio de Janeiro, Cleiton  teve que superar os desafios de um trabalho sem patrocínio e com uma receita de bilheteria que não era suficiente, apesar do grande sucesso de público. Para produzirO Menino que brincava de ser   a companhia dividiu despesas e funções de produção, se envolveu em outras profissões e mais a fé que faz acreditar que o teatro é algo maior. Uma certeza que somente quem pisa de corpo inteiro em um tablado pode entender.  

Eu acredito que eu e grande parte dos que fazem teatro no Brasil resistimos pela fé que temos na nossa arte. Fé no sentido de uma profunda e, às vezes, incompreensível certeza de que aquilo que fazemos tem algum valor, não só nas nossas vidas, mas também nas vidas daqueles que assistem teatro. O teatro traz um pouco de sentido às nossas vidas, nos alivia um pouco a angústia de estarmos aqui sem sabermos de onde viemos e pra onde vamos. Acho também que o teatro é, para nós, o antídoto para toda essa barbárie com a qual nos deparamos diariamente.  

Conheça os trabalhos, os projetos e os desejos de Cleiton Echeveste.  

Dizem que o teatro infantil vive um momento positivo em relação a publico, que há mais oportunidades de se construir trabalhos. Você concorda com isso? Não há uma certa crise generalizada no teatro?  

Na verdade há uma crise generalizada de tudo! De público, de educação, de saúde, principalmente, de valores. E quando eu digo valores, não me refiro apenas aos valores morais e éticos, mas também ao valor que damos a nós mesmos, aos nossos sonhos e desejos, aos nossos projetos e às nossas realizações. É notória a baixa auto estima do brasileiro, a noção de inferioridade em relação ao que vem de fora seja em economia, política, esporte, cultura, arte. A noção do nosso próprio valor só quem pode nos dar somos nós mesmos.  

Você é do Sul, por que escolheu o Rio de Janeiro para trabalhar e montar sua companhia?  

Para quem não nasceu no Rio de Janeiro ou em São Paulo, talvez seja um pouco difícil entender o poder de atração – e muitas vezes de repulsão– que esses centros exercem sobre as outras regiões do país. Eu não fugi à regra. Diante de uma série de limitações com as quais me deparei em Porto Alegre, onde comecei minha carreira, optei por um grande centro na busca de novas perspectivas e desafios profissionais. O Rio é acolhedor além de ser uma cidade linda. E para um "retirante" do Sul é fascinante essa mistura que a cidade vive, apesar dos problemas. Morando no Rio estamos um pouco mais próximos – ou será isso uma ilusão? – dos centros das decisões.  

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Você trabalha tanto como ator como diretor. São complementares esses trabalhos para você?

"O Menino que brincava de ser"  Ã© minha terceira experiência como diretor. Eu considero a direção um exercício muito interessante e é algo que os atores fazem. Todo ator tem um olhar distanciado e crítico ao próprio trabalho. Considero sim, o trabalho de diretor complementar ao meu trabalho como ator e é um privilégio e uma grande responsabilidade ser o "olho de fora" .

Como você compara esses dois "mercados": Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul ?

No Sul, há uma maior "mobilidade", ou seja, os atores fazem tanto teatro adulto quanto infantil, sem nenhuma distinção ou desvalor. Por outro lado, há uma excessiva valorização, por parte do público gaúcho, do teatro que vai do Rio de Janeiro para lá. E isso não tem a menor razão de ser, porque o teatro feito no Sul conta com grupos, atores, diretores... muita gente boa mesmo: Grupo Cuidado que Mancha, Caixa do Elefante, Ói Nóis Aqui Traveiz, Depósito de Teatro. Mas o Rio Grande do Sul tem um mercado cultural limitado em termos de teatro, e muitos acabam optando por sair de lá, como eu. Aqui no Rio, há uma grande diversidade. Há lugares promovendo bons cursos de aperfeiçoamento, há centros culturais que mantém uma programação de nível muito bom e projetos de estímulo à produção – Centro Cultural banco do Brasil (CCBB), Caixa Cultural, Oi Futuro, SESCs – e há entidades teatrais muito ativas como o  Centro Brasileiro de Teatro para Crianças e Juventude (CBTIJ), Centro de Pesquisa e Estudo de Teatro para Crianças (CEPETIN),Associação  de Produtores de Teatro do Rio de Janeiro (APTR). 

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Como foi a repercussão da peça  O Menino que brincava de ser? Vocês ainda voltam em cartaz?

A repercussão foi  muito boa. Fizemos duas temporadas, uma no Teatro Maria Clara Machado e outra no Teatro Ziembinski. Tivemos boas críticas e  a qualificação de espetáculo recomendado pelo Centro de Pesquisa e Estudo do Teatro Infantil (CEPETIN). E, mais do que isso, temos tido um retorno muito positivo do público, tanto das crianças quanto dos adultos. Muitos vêm falar conosco no final das apresentações ou deixam depoimentos na comunidade da peça no Orkut. No momento só não estamos em cartaz por falta de espaço.Acredito que até dezembro definiremos nossa próxima temporada no Rio de Janeiro.

Atualmente, você se dedica profissionalmente somente aos trabalhos da companhia?  

Atualmente a Pandorga é o meu grande foco, tanto com o infantil quanto com um projeto chamado  "Teatro em Inglês". São esquetes cômicos, falados em inglês, que apresentamos escolas, empresas, hotéis. Também com a Pandorga estou começando a pensar num projeto adulto para  2009.

Projetos futuros?

Trabalhar para consolidar a Pandorga Companhia de Teatro, encontrar parceiros e patrocinador para nossas produções --  isso é fundamental!  

 

PANDORGA Companhia de Teatro em O Menino que brincava de ser é ator e diretor Cleiton Echeveste  - atores Diogo  Villa Maior, Jan Macedo – atrizes Cristina Froment, Fernanda Sousa Lima, Nice Simeão – cenógrafa e figurinista Viviane Cavalheiro e Denilce Franco – preparador corporal  Jiddu Saldanha – músico Gustavo Finkler – criador de luz  Tiago Mantovani – programador visual Rui Faleiro com desenhos de André Arantes – Assessor de imprensa  Júlio Rosemberg – produtores Eduardo Almeida e Joana Carmo.

PANDORGA WEBSITE
www.pandorgaciadeteatro.com.br

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©2007 Andréa Carvalho Stark
©2007 Publication Scene4 Magazine

 

Andréa Carvalho Stark é produtora, escritora e professora no Rio de Janeiro.
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