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Após três meses de trabalho árduo, a Companhia de Teatro Contemporâneo convida para a abertura de sua sede. A casa, um prédio de 1910 em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, tem salas de ensaio, escritório administrativo e um teatro com 130 lugares. Será um lugar para ensaios, pesquisa, oficinas de teatro, dança e música, um lugar para trabalhar e se divertir. "É um sonho que se realiza", diz Dinho Valladares, o jovem diretor, ator e produtor da Companhia (esta última função ele divide com Wagner Uchôa). Dinho deseja que a casa se torne notável pelas ações culturais inovadoras que a Companhia pretende promover.
A casa e a companhia, criada em 1998, não têm patrocínio. Perguntei a Dinho como ele lida com isso, se ele se preocupa com a bilheteria ao optar por um projeto. Dinho preocupa-se com a arte. "Me preocupo em produzir algo artisticamente satisfatório, a bilheteria é conseqüência, não me guio por ela, porque acho que a função do artista não se encerra no espetáculo, tem que acumular outras atividades."
O primeiro evento da Companhia em sua casa foi o Festival Nelson Rodrigues, uma mostra de cenas selecionadas das peças de um dos maiores dramaturgos brasileiros. Mas Dinho acredita que as produções que consolidaram a Companhia são as adaptações de Shakespeare. Há um grupo de peças, uma trilogia Shakespeareana, como ele nomeou, formando uma unidade de sinais/códigos desde seu título: Romeu e Julieta são os Adoráveis Romeu e Julieta; Richard III é o Adorável Ricardo III; Hamlet tornou-se Adorável Hamlet. Mas por que eles são tão adoráveis? "Adorável foi introduzido na frente do título porque nossas montagens não seguem a risca o texto, nem é uma montagem ortodoxa,portanto, achamos que uma mudança no título facilitaria ao público identificar que não se tratava de uma montagem convencional; segundo, daria um tom mais simpático a fim de quebrar um preconceito de que montagens de Shakespeare significam "chatice"; terceiro, por se tratar de uma trilogia com intervalos de tempo entre elas. Esta "estranheza" no título facilitaria ao público identificar a procedência da montagem e assim quem gostou das primeiras poderia acompanhar as outras, sem se confundir com outras montagens shakespeareanas que acontecem na cidade." No momento, trabalham na companhia dois núcleos de atores, os "velhos" e os "novos". Dinho explica: "Atualmente temos dois núcleos, o de atores "jurássicos", que estão fazendo a montagem da peça adulta que vai estrear na sede, composto por (na ativa) Nelson Meloreto, Silvia Carvalho, Marco Santos, entre outros. Alguns não estão participando desta montagem mas fazem parte da Companhia como William Santiago. E os atores novos, que estão indo para o Festival de São João do Meriti, encenam Arlequim, Servidor de dois patrões. Estes são, entre outros, Alessandra Schor, Rodrigo Passos, Alessandro Valéryo."
A Companhia de Teatro Contemporâneo terá em sua casa várias oficinas de teatro em agosto. A intenção do diretor Dinho é transformar o espaço em um lugar de aprendizado e prática, mas também de divertimento. Esses pólos, arte e divertimento, por vezes são pontos cruciais de discussões entre artistas e críticos. Como ele percebe isso? Diz: "Acho que é fundamental o lúdico estar envolvido com o trabalho, acho que o teatro precisa do público e só conseguimos mexer com as cabeças das pessoas dentro de um ambiente de envolvimento, só em um ambiente confortável existe a entrega, mesmo quando se faz sexo é necessário estar envolvido para atingir o gozo. Só me ponho na sua mão se me sentir confiante. Assim é a vida, assim é o Teatro."
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